Aquiete Sua Mente Como as Folhas no Fundo do Rio

13/06/2019

 

Quando costumo ensinar os primeiros passos para a meditação aos meus alunos de yoga, a preocupação que surge deles é invariavelmente a mesma: não consigo parar de pensar, minha mente divaga, meditar não é pra mim, o que faço? Deixe que os pensamentos venham, não lute contra eles, exercite a paciência de abandoná-los toda vez que eles surgem, até que eles comecem a cessar aos poucos. Eu sempre leio um conto budista para eles onde revela como isso pode ser feito. Já que eu recebi vários emails aqui na coluna pedindo dicas de meditação, aqui vai:

“Diz a lenda que um dia, já em idade bastante avançada, Buda passava por uma floresta. Era um dia quente de verão e ele estava com muita sede. Então ele disse a Ananda, o seu discípulo-mor: “Passamos por um pequeno riacho uns cinco ou seis quilômetros atrás. Volte até lá e leve a minha vasilha de esmolas. Traga-me um pouco de água. Estou com sede e cansado.” Ananda retornou, mas, ao chegar ao local, percebeu que algumas carroças de bois atravessaram o riacho, revolvendo o leito de folhas secas e deixando a água enlameada. Já não era mais possível beber daquela água. Ele voltou com as mãos vazias dizendo: “Precisa esperar um pouco. Eu vou seguir adiante, pois ouvi falar de um rio a três ou quatro quilômetros daqui.” Mas Buda insiste dizendo: “Volte e traga água do mesmo riacho.” Ananda não entendia tanta insistência, mas, se o mestre estava ordenando, o discípulo obedecia. Assim, ele regressou ao riacho, mesmo sabendo do absurdo que seria caminhar cinco ou seis quilômetros, onde a água não estava boa. Ele lembrou ainda que Buda disse: “Se ainda estiver suja, simplesmente senta-te à margem do riacho, permanece em silêncio e observa. Cedo ou tarde a água estará límpida novamente e poderás encher a vasilha e voltar.” Ananda regressou ao local. Buda estava certo, as folhas tinham sido levadas e a sujeira assentado, mas ainda não estava límpida. Assim, ele sentou-se e apenas observou o rio fluir. Lentamente, a água tornou-se transparente como um cristal e Ananda regressou dançando. Ele tinha entendido porque Buda fora tão insistente. Ananda entregou a água a Buda e agradeceu tocando nos seus pés. Buda então disse: “O que estás fazendo? Sou eu quem deveria agradecer pela água.” Ananda respondeu: “Agora eu entendo. No início eu estava com raiva. Eu não demonstrei, mas estava com raiva porque achava que era absurdo voltar. Agora, entendi a mensagem. Sentado na margem do riacho, dei conta que a mesma coisa acontece com a minha mente. Se eu mergulhar no rio, eu sujarei novamente. Se eu mergulhar na mente, apenas irei criar mais barulho, mais problemas serão desenterrados e irão começar a aparecer. Aprendi ao sentar à margem.”

 

Tanto na meditação quando na sua vida, há momentos que precisamos apenas sentarmos à margem e aguardar quando tudo estará límpido novamente. Ao sentar à margem da sua mente, não estará mais transmitindo energia para ela. Esse é o princípio da transcendência.

 

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