Bacurau

25/09/2019

 

 

Sempre falo que o cinema passa pela experiência pessoal de cada um de nós. Gostamos ou não de um filme de acordo com o momento que estamos vivendo ou quando emprestamos e dividimos nossas emoções com o filme que a acabamos de assistir. É por isso que o mesmo filme pode ser ótimo para uns e ruim para outros.

 

Do ponto de vista técnico não há o que discutir, porém para o cidadão comum desacostumado a perceber o que está implícito, o cinema é pode ser sempre uma grande descoberta.

 

E que experiência foi assistir “Bacurau” do diretor Kleber Mendonça Filho em co-direção com Juliano Dornelles.

 

Kleber já chegou ao patamar dos grandes diretores brasileiros, aquele que já imprime sua assinatura na obra. Vamos ao cinema ver o novo filme do Kleber como vamos ao cinema ver um Woody Allen.

 

 “Bacurau” é um choque de realidade e violência, essa que estamos acostumados a ver todos os dias e que não queremos mais prestar atenção. Aí vem o cinema e nos dá uma sacudida.

Kleber dirigiu “Aquarius” e “O Som ao Redor”, filmes sobre resistência, luta de classes sociais e que fala da emoção raiva de forma implícita. Já em “Bacurau” a raiva é a protagonista de um povoado excluído do mapa e que não enxerga outra saída para  a violência e a sobrevivência que não seja a própria violência.

O filme abre num caminhão pipa e em uma personagem que retorna à cidade para o enterro da avó dando a falsa sensação de ser ela a protagonista da história quando na verdade, ao logo da narrativa, entendemos que a verdadeira protagonista é a própria cidade Bacurau.

 

Recheado de figuras marcantes (representados por grandes atores como Sonia Braga, Karina Telles e Silveiro Pereira) e personagens locais (não atores e moradores da região de Pernambuco, onde foi rodado) , o filme revela um triste Brasil onde as regiões mais ricas e as pessoas brancas e “cultas” se sentem no direito de se sobrepor às regiões mais pobres e as pessoas negras negras e menos instruídas. Há várias falas em que se pode perceber essa mania que o sul e o sudeste tem de achar que o nordeste ainda é uma região inferior a deles. Xenofobia é, sem dúvida, a grande mensagem dessa história e um ponto de partida para prestarmos atenção em outras formas de preconceito que estão assolando o país chancelados por quem deveria nos representar.

 

Em Bacurau vemos o Brasil que vai das raízes do colonialismo passando pelo coronelismo e cangaço até chegar, vejam só, à era moderna através da tecnologia.

 

“Bacurau” é o preconceito, a luta pela igualdade, a ilicitude zombeteira. Mas também é alegoria política, confronto com o capitalismo selvagem, é ausência de segurança. E ao deixar lacunas abertas para serem preenchidas ao final do filme, o diretor, de certa forma, nos chama para uma parceria.

Filme imperdível para quem está a fim de pensar um pouco sobre o Brasil que vivemos e o Brasil que queremos construir. Vá ao cinema de coração aberto. “Bacurau” não é um filme para entreter, mas para nos tocar.

 

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