Desapego Equilibrado

20/11/2018

 

Quem eu seria se eu tivesse todo o dinheiro do mundo? Eu teria uma vida plena? Aparentemente, muita gente pensa que sim, porque as pessoas pensam que dinheiro traz felicidade. Mas vamos a um exemplo: o Butão, país considerado o mais feliz do mundo, é um reino budista, onde praticamente não há violência. Lá, existe o índice de felicidade, o FIB. Felicidade interna bruta, já que lá não tem PIB – produto interno bruto. Lá, falos são pintados em vários lugares, eles existem em formas de estátuas. Os falos (pênis) são sinônimos de boa sorte. É um país coberto de campos de maconha, apesar de poucos consumirem. Curiosamente, a maconha, que cresce espontaneamente nas avenidas, não é muito consumida. Por que será?

 

O Butão é feliz, provavelmente, porque oferece poucas condições para as pessoas desejarem muito, e desejar muito é um elemento importante para causar infelicidade. A vontade de ser feliz causa infelicidade muitas vezes. Quando chegamos a patamares de exigência muito grandes, não queremos mais voltar para o que tínhamos antes. Cada nova conquista gera um desejo maior. Não somos felizes porque desejamos incessantemente. Portanto, precisamos cortar o elo do desejo. A impermanência é a chave do universo. Tudo passa. Tudo é passageiro. Nada me pertence. Tudo é etéreo e vai desaparecer. O desapego é a chave para ser feliz. Desapego é a margem para sermos felizes. Mas não um desapego para pensarmos em consumir o tempo todo. Não é fazer jejum para pensarmos em comida o tempo todo, por exemplo, mas também não comer demais para ser guloso. É o desapego equilibrado.

 

Natália Ribeiro: nribeiro95@hotmail.com

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