Mais Amor, Por Favor.

03/12/2017

Hoje fui ao cinema e assisti a um filme chamado “Extraordinário”, que fala de como devemos ter mais empatia com o que é diferente.

 

Em tempos de tanta intolerância propagada livremente nas redes sociais, o filme deve ser um alento aos nossos corações cansados de tanto ódio.

 

As pessoas tem uma dificuldade imensa em se colocar no lugar do outro e entender as dificuldades e as lutas que cada um enfrenta. Quando a atriz Taís Araújo defende os filhos e a condição de mulher negra de destaque, é violentamente agredida na internet. Quando o ator Bruno Gagliasso defende a filha negra, vítima de violência verbal, há um acolhimento explícito das mesmas pessoas que agrediram Taís. Houve uma diferença enorme em como as pessoas trataram e se posicionaram nos dois casos em que racismo foi mais uma vez a pauta.  Taís é negra. Bruno é branco. E o racismo velado é a pior demonstração de falta de empatia que podemos ter.

 

Outro dia uma criança desmaiou na escola porque estava com fome. Ouvi de pessoas próximas palavras de indignação. Não pelo fato da criança desmaiar de fome, mas porque a mãe dessa criança, uma mulher sem instrução, pobre e em condição muito mais vulnerável que a deles, passou a receber do governo quatrocentos reais a mais de um programa social que a acolhe. Um absurdo, divagou uma dessas pessoas, sugerindo que essa mãe agora fosse torrar o dinheiro em manicure e não em moela e ovos para os seis filhos. Moela e ovos. Como se essa família não tivesse o direito de comer alcatra ou a mãe de ir à manicure.

 

Me perguntei onde estavam a empatia e o acolhimento e como é difícil se colocar no lugar do outro. É muito mais fácil emitir opiniões rasas e sem o menor embasamento social do que reconhecer que temos nossa parte de culpa nessa sociedade cheia de desigualdade e preconceito. Fazemos pouco e falamos muito.

 

“Extraordinário” pode ser um filme que venha ensinar alguma coisa de bom aos que rejeitam e agridem o diferente.  E o diferente pode ser visível como a cor da pele ou a condição social, ou invisível, como as diferenças de gênero.

 

Em tempos pré eleitorais, está na hora de prestamos atenção aos discursos daqueles que vão nos representar. Menos ódio e mais amor, por favor.

 

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